Neste encontro conversamos sobre aquilo que nos define. E, claro, isso não é um assunto tão novo, nem uma busca tão nova.
Séculos de filosofia tem tentado descobrir a definição do ser humano. Primeiro pela causa primeva de todas as coisas, depois a busca pelo homem em si.
Lembramos de Hamlet em sua clássica pergunta "Ser ou não ser, eis a questão", depois de tudo que ele viveu por causa de um reino, sua falta de paz interior o levou a este questionamento. A vida só tazia tragédias, será que a morte não traria o descanso?
No fundo de sua alma os homens têm sido levados a crer que primeiro se vive - o ser, depois a morte - o não ser.
Em um mundo onde a dúvida, muitas vezes, tem sido a única certeza, certeza esta que redefiniu os rumos da filosofia na Europa durante a idade média pela pena de Rene Descartes, a famosa frase "Penso, logo existo", revelou o desespero de uma humanidade sedenta por sua própria definição.
Será que, no meio deste turbilhão de certezas duvidosas e dúvidas certas é possível saber, reconhecer ou ainda viver pautados por um norte, um rumo certo?
Para aqueles que ainda não tem este norte resta a punição de viver de acordo com a lei do Batman: não é aquilo que você é por dentro que te define, mas aquilo que você faz.
Isto traz sérias consequências, pois a definição de alguém, nesta condição, será dada por aquilo que se faz. Mas, e se um dia esta pessoa não fizer mais nada? Ou estiver impossibilitada? Onde estará a definição desta pessoa? Sua existência cessará?
Se a definição de alguém é dada por aquilo que se faz, ou por seu grupo de amigos, ou por um lugar específico, logo não é uma definição em si mesmo, mas sempre dada por fatores externos à própria pessoa. Se o grupo de amigos, o lugar, as roupas, a profissão deixarem de existir a definição desta pessoa também entrará em colapso, pois perderá seu referencial de exitência.
Agora, o que Deus, o autor da vida e da definição de todoas as coisas, tem a nos dizer sobre aquilo que nos define, ou que deveria nos definir?
O encontro de Nicodemos com Jesus, naquela noite, pode nos ensinar muito sobre nossa própria definição.
Nicodemos, no trecho de João 3:3-6, tentou criar um prólogo com Jesus, relembrando os sinais que ele fizera. Porém, Jesus foi bem direto à abordagem de Nicodemos.
Jesus começou demonstrando que não basta crer apenas nominalmente, ou só por causa dos milagres vistos. Jesus, diz o texto no capítulo 2, não confiava em nenhum daqueles que estavam vendo os sinais operados por ele, pois conhecia a natureza humana.
E, conhecendo a natureza humana, ele diz a Nicodemos que é necessário nascer de novo, da água e do espírito.
Ora, o nascimento de alguém leva necessariamente à uma definição, é um novo ser que surge.
Mas, este nascimento que Jesus diz não é da carne, mas do Espírito! E, no texto original em grego a mesma palavra usada para "de novo" quer dizer também "do alto". Devemos nascer de novo, do alto.
Do Alto vem o Espírito, o mesmo Espírito que agora habita naqueles que nasceram de novo.
Logo, a definição de alguém, segundo a palavra de Deus, vem do Espírito Santo, que habita dentro de si. Não há mais necessidade de procurar a definição em outroas pessoas, coisas ou lugares!
Agora, podemos readequar a sentença que o filme do Batman nos legou para: "Eu faço aquilo que me define". Ou seja, nossas ações serão realizadas por aquilo que somos, por isso agimos diferente daqueles que ainda não conhecem a Deus.
Podemos também readequar o ciclo mortal e desesperançoso que apresentamos no começo. Primeiro se vive - o ser, depois a morte - o não ser.
Porém, do ponto de vista bíblico esta sentença está invertida. Pois enquanto vivemos ainda não somos aquilo que devemos ser. Mas, quando a morte vier sobre aqueles que nasceram de novo, seremos como Jesus é, conforme a Bíblia nos diz em I João 3:2: "Meus amigos, agora nós somos filhos de Deus, mas ainda não sabemos o que vamos ser. Porém sabemos isto: quando Cristo aparecer, ficaremos parecidos com ele, pois o veremos como ele realmente é."
31 de janeiro de 2010
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